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Músicas de filmes antigos são melhores do que os de filmes atuais?

Coralium Feminino

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02 de Novembro de 2019
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Olá, chuchus da minha horta!

Tudo bem com vocês?
Venho em busca de vossas opiniões. Tive minha paixão por Cinderela (o filme da Disney) reacendida recentemente e hoje estava ouvindo a playlist de trilha sonora do filme no youtube. Que erro, 7h da manhã e eu chorando com A Dream is a Wish Your Heart Makes. Mas parei pra pensar: como eram lindas as músicas dos filmes que eu assistia antigamente! Todas com esse tom meio de música clássica, feitas com orquestras.

Isso acontecia em vários filmes; inclusive existem filmes da Barbie que são representações de Ballets de repertório* famosos e que ainda utilizam músicas e variações* originais do Ballet representado no filme. Em Cinderela (para mim, principalmente na versão em português) a moça canta como um ANJO, até os passarinhos param de cantar para escutá-la -e com razão!

Acredito que isso me influenciou muito a gostar de orquestras e músicas clássicas hoje. Penso que talvez crianças mais novas não tenham de forma tão acessível esse contato com músicas e ballets clássicos, considerando que Frozen, Moana e outros filmes mais recentes não possuem esse mesmo tipo de composição. Sinto que isso é um prejuízo nos dias de hoje! Vocês também sentem o mesmo? Como eram os filmes que vocês assistiam quando vocês eram mais novos?

Me contem aqui <3
Beijinhos da Coralium

*Ballet de repertório: um ballet que conta uma história
*Variações: termo dado ao solos das personagens no ballet, que se mantêm com a mesma base de passos desde que foram criados (no máximo com adaptações)
 
Coral, você tem habilidade em trazer outras visões das coisas que parecem não ter mais o que discutir. '-'
Em tudo que falou, nem ia parecer estar se referindo à um "filme de princesa" se não tivesse deixado claro. ruohahruaohura

Acho que alguém que pode agregar uma parte técnica disso pra ente é o [member=1013]Zaggojhon[/member], musiqueiro das comunidades gamedev.

Vou ficar de olho aqui pra ver o que mais o pessoal pode trazer pra essa discussão além dos pontos que levantou, tá realmente interessante.
 
Coralium comentou:

Acredito que isso me influenciou muito a gostar de orquestras e músicas clássicas hoje. Penso que talvez crianças mais novas não tenham de forma tão acessível esse contato com músicas e ballets clássicos, considerando que Frozen, Moana e outros filmes mais recentes não possuem esse mesmo tipo de composição. Sinto que isso é um prejuízo nos dias de hoje! Vocês também sentem o mesmo? Como eram os filmes que vocês assistiam quando vocês eram mais novos?
Entendo seu ponto mas acho que o que aconteceu foi só uma mudança de prioridade. Na verdade, ambos Frozen e Cinderella ainda seguem um molde parecidos.
O que acontece é que conforme o tempo passa a cultura das sociedades muda assim como o comportamento e gostos das crianças, o que pede uma adaptação na forma que o filme usa os recursos. Frozen também tem elementos clássicos em sua trilha sonora, da pra notar isso numa das músicas mais famosas do filme: Do You Wanna Build a Snowman?, com seu piano e violino no fundo.

Sobre influenciar ou não, acho que depende vários fatores porém é algo principalmente subjetivo. Por exemplo, é extremamente raro pra mim reparar na OST de algum filme ou série, e isso sem falar quando eu era criança que eu só focava na história sendo contada e nos seus personagens. Hoje gosto de música clássica mas não foi por causa dos filmes infantis que assisti quando era criança. Acho que se a ideia for influenciar o telespectador (principalmente crianças) a gostar de algo então o tema do filme (ou pelo menos da cena) deva ser ao redor disso, já que crianças normalmente não se prendem a questões técnicas no filme.

Por exemplo, acho que tanto Let it Go do Frozen quanto Bibbidi Bobbidi Boo do Cinderella tiveram mais impacto na vida das crianças do que as músicas clássicas de fundo (ambientação?) das OST. A forma como o filme se comunica com a criança que ta assistindo é a parte mais importante pra isso, por isso lembrei da Bibbidi Bobbidi Boo mas não lembrei da A Dream is a Wish Your Heart Makes quando você citou Cinderella.

E, só pra fechar, Cinderella é um caso à parte bem específico. Acontece que Cinderella é de 1950... Já fazem 70 anos desde que ele foi feito. O público alvo do filme era outro, completamente. A sociedade era outra com diferentes costumes e gostos.
Se você pegar um filme um pouco mais recente porém ainda não tanto como Aladdin (1992), vai ver que ele já tem uma OST bem mais parecida com Frozen, onde praticamente toda a trilha sonora é passada através dos personagens e interage com o telespectador.
 
Alkemarra comentou:
Coral, você tem habilidade em trazer outras visões das coisas que parecem não ter mais o que discutir. '-'
Em tudo que falou, nem ia parecer estar se referindo à um "filme de princesa" se não tivesse deixado claro. ruohahruaohura

Acho que alguém que pode agregar uma parte técnica disso pra ente é o [member=1013]Zaggojhon[/member], musiqueiro das comunidades gamedev.

Vou ficar de olho aqui pra ver o que mais o pessoal pode trazer pra essa discussão além dos pontos que levantou, tá realmente interessante.

[member=1938]Alkemarra[/member] , vou te dizer uma coisa que me disseram quando eu era bem nova e achei muito interessante:
Considerando que existem um número limitado de notas musicais, perguntei a um músico se chegaria um dia em que todas as combinações possíveis  já teriam sido feitas e não haveria como criar músicas novas.
Ele riu e disse que existem infinitas possibilidades de arranjos com notas musicais e que, por isso, sempre seria possível criar uma música nova!

Acho que praticamente tudo na vida é assim, infinitas são as possibilidades!

Obrigada por responder meu tópico <3 gosto de ler suas respostas!
 
É interessante essa discussão. Mas penso que as músicas não estão diferentes, em si. Como bem disse a [member=1052]Joy[/member] , acredito que houve uma mudança na representação. Mas, ainda hoje, é possível encontrar musicas tão boas quanto as antigas.

Quando penso em musicas boas em filmes antigos, a primeira coisa que me vem a mente é o filme musical Moulan Rouge, o qual também tive o prazer de assistir em formato de peça teatral. A trilha sonora desse filme é comovente pra caramba e eu lembro de ter chorado por isso!

[youtube]https://www.youtube.com/watch?v=vMqGzC4NEpA[/youtube]

Lembro também dos clássicos da Disney! Cara, é difícil ter um filme da Disney (principalmente os antigos) que não tenha uma boa trilha sonora. A exemplo, vou citar a versão antiga de Rei Leão (ainda não assisti a nova versão). Quem é que não vibra com a musica do Scar? EU VIBRO MUITO!

[youtube]https://www.youtube.com/watch?v=Uahl00duAUo[/youtube]

Agora, falando de filmes mais recentes, também consigo pensar em exemplos ótimos. Citarei apenas um: O Hobbit: Uma Jornada Inesperada. Uma trilha sonora que as vezes coloco pra ouvir pra dormir.

[youtube]https://www.youtube.com/watch?v=BEm0AjTbsac[/youtube]

Enfim, pra concluo acreditando que a qualidade das musicas não mudou, mas sim a forma como é apresentada.
E, já que disse que está começando a curtir musica clássica, deixarei aqui a trilha sonora de dois ótimos games pra você ouvir quando quiser: Guild Wars 2 e The Elder Scrolls: Oblivium.

[youtube]https://www.youtube.com/watch?v=xqAhc2yVcbs&list=PL9u7rbRjJmqD_qh-WXX7zSftvxOL5nUhI[/youtube]
[youtube]https://www.youtube.com/watch?v=2v9K98RzbHI&list=PLE7855814AAB038FA&index=4[/youtube]
 
Joy comentou:
Coralium comentou:

Acredito que isso me influenciou muito a gostar de orquestras e músicas clássicas hoje. Penso que talvez crianças mais novas não tenham de forma tão acessível esse contato com músicas e ballets clássicos, considerando que Frozen, Moana e outros filmes mais recentes não possuem esse mesmo tipo de composição. Sinto que isso é um prejuízo nos dias de hoje! Vocês também sentem o mesmo? Como eram os filmes que vocês assistiam quando vocês eram mais novos?
Entendo seu ponto mas acho que o que aconteceu foi só uma mudança de prioridade. Na verdade, ambos Frozen e Cinderella ainda seguem um molde parecidos.
O que acontece é que conforme o tempo passa a cultura das sociedades muda assim como o comportamento e gostos das crianças, o que pede uma adaptação na forma que o filme usa os recursos. Frozen também tem elementos clássicos em sua trilha sonora, da pra notar isso numa das músicas mais famosas do filme: Do You Wanna Build a Snowman?, com seu piano e violino no fundo.

Sobre influenciar ou não, acho que depende vários fatores porém é algo principalmente subjetivo. Por exemplo, é extremamente raro pra mim reparar na OST de algum filme ou série, e isso sem falar quando eu era criança que eu só focava na história sendo contada e nos seus personagens. Hoje gosto de música clássica mas não foi por causa dos filmes infantis que assisti quando era criança. Acho que se a ideia for influenciar o telespectador (principalmente crianças) a gostar de algo então o tema do filme (ou pelo menos da cena) deva ser ao redor disso, já que crianças normalmente não se prendem a questões técnicas no filme.

Por exemplo, acho que tanto Let it Go do Frozen quanto Bibbidi Bobbidi Boo do Cinderella tiveram mais impacto na vida das crianças do que as músicas clássicas de fundo (ambientação?) das OST. A forma como o filme se comunica com a criança que ta assistindo é a parte mais importante pra isso, por isso lembrei da Bibbidi Bobbidi Boo mas não lembrei da A Dream is a Wish Your Heart Makes quando você citou Cinderella.

E, só pra fechar, Cinderella é um caso à parte bem específico. Acontece que Cinderella é de 1950... Já fazem 70 anos desde que ele foi feito. O público alvo do filme era outro, completamente. A sociedade era outra com diferentes costumes e gostos.
Se você pegar um filme um pouco mais recente porém ainda não tanto como Aladdin (1992), vai ver que ele já tem uma OST bem mais parecida com Frozen, onde praticamente toda a trilha sonora é passada através dos personagens e interage com o telespectador.

Ah, eu enxergo músicas de Cinderela e Frozen como duas coisas muito distintas. Acho que as músicas não são feitas da mesma forma e para mim passaram de sinfonias cuidadosas para algo mais pro POP chiclete. Me pergunto se Harry Potter teria aquela música tão famosa produzida da mesma forma se fosse feito hoje, ou então se Star Wars teria The Imperial March se fosse um filme recente.

Apesar de Cinderela ser um filme antigo, eu sou de um público recente e sempre gostei muito do filme do jeitinho que ele é, assim como Branca de Neve e os ballets da Barbie e outros filmes com esse tipo de trilha sonora. Houve sim essa mudança, mas não acho que foi algo solicitado pelo público. Ou foi?

De qualquer forma, foram apenas influências diretas pra mim e eu sinto falta de como as músicas eram feitas uns anos atrás. Foi mais um desabafo que iniciou esse debate! hehehe


Eliyud comentou:
É interessante essa discussão. Mas penso que as músicas não estão diferentes, em si. Como bem disse a [member=1052]Joy[/member] , acredito que houve uma mudança na representação. Mas, ainda hoje, é possível encontrar musicas tão boas quanto as antigas.

Quando penso em musicas boas em filmes antigos, a primeira coisa que me vem a mente é o filme musical Moulan Rouge, o qual também tive o prazer de assistir em formato de peça teatral. A trilha sonora desse filme é comovente pra caramba e eu lembro de ter chorado por isso!

[youtube]https://www.youtube.com/watch?v=vMqGzC4NEpA[/youtube]

Lembro também dos clássicos da Disney! Cara, é difícil ter um filme da Disney (principalmente os antigos) que não tenha uma boa trilha sonora. A exemplo, vou citar a versão antiga de Rei Leão (ainda não assisti a nova versão). Quem é que não vibra com a musica do Scar? EU VIBRO MUITO!

[youtube]https://www.youtube.com/watch?v=Uahl00duAUo[/youtube]

Agora, falando de filmes mais recentes, também consigo pensar em exemplos ótimos. Citarei apenas um: O Hobbit: Uma Jornada Inesperada. Uma trilha sonora que as vezes coloco pra ouvir pra dormir.

[youtube]https://www.youtube.com/watch?v=BEm0AjTbsac[/youtube]

Enfim, pra concluo acreditando que a qualidade das musicas não mudou, mas sim a forma como é apresentada.
E, já que disse que está começando a curtir musica clássica, deixarei aqui a trilha sonora de dois ótimos games pra você ouvir quando quiser: Guild Wars 2 e The Elder Scrolls: Oblivium.

[youtube]https://www.youtube.com/watch?v=xqAhc2yVcbs&list=PL9u7rbRjJmqD_qh-WXX7zSftvxOL5nUhI[/youtube]
[youtube]https://www.youtube.com/watch?v=2v9K98RzbHI&list=PLE7855814AAB038FA&index=4[/youtube]

[member=2745]Eliyud[/member] concordo com você quanto a rei leão, AMO a música do Scar <3 mas continuo com o ponto de vista de que também é um filme dessa época a que me refiro (até depois dos anos 2000 tinham filmes com músicas assim) e os outros que você cita que tem excelentes trilhas sonoras são mais voltados para adultos.
Minha tristeza é voltada para os filmes infantis que foram lançados mais recentemente e não tem esse quê de música que arrepia,  por mais que sejam boas e a história seja incrível.
Sobre as sugestões de games, com certeza vou ouvir, eu não conhecia! Obrigada <3
 
Coralium comentou:
Ah, eu enxergo músicas de Cinderela e Frozen como duas coisas muito distintas. Acho que as músicas não são feitas da mesma forma e para mim passaram de sinfonias cuidadosas para algo mais pro POP chiclete. Me pergunto se Harry Potter teria aquela música tão famosa produzida da mesma forma se fosse feito hoje, ou então se Star Wars teria The Imperial March se fosse um filme recente.

O exemplo da Imperial March foi ótimo, realmente temos um grande "e se" ai mas eu ainda acho totalmente possível sim. No caso da Imperial March eu sinto (novamente a questão da subjetividade aqui) que é uma musica sem tempo de validade.
Mesmo hoje em dia ainda existem sinfonias cuidadoas. Posso pegar qualquer trabalho recente do Hans Zimmer como Interstellar (2014) ou Dunkirk (2017) ou um trabalho antigo como Rei Leão (1994) ou Rain Man (1988) e todas as trilhas sonoras serão incríveis lado a lado.

Coralium comentou:
Apesar de Cinderela ser um filme antigo, eu sou de um público recente e sempre gostei muito do filme do jeitinho que ele é, assim como Branca de Neve e os ballets da Barbie e outros filmes com esse tipo de trilha sonora. Houve sim essa mudança, mas não acho que foi algo solicitado pelo público. Ou foi?
Com certeza não foi o público quem pediu, e nem a Disney quem quis. Quem decidiu mudar foi o mundo. Não da pra controlar a evolução da cultura, não fora de uma ditadura. O mundo mudou naturalmente, como está mudando hoje e como sempre muda, e os filmes, as pessoas e as empresas mudaram junto com ele.

Coralium comentou:
De qualquer forma, foram apenas influências diretas pra mim e eu sinto falta de como as músicas eram feitas uns anos atrás. Foi mais um desabafo que iniciou esse debate! hehehe
Entendo perfeitamente, também só estava mostrando minha opinião.

Na verdade eu adoro esses filmes antigos e suas trilhas sonoras, bate um sentimento nostalgico absurdo. Saudades de encaixar a fita VHS pra poder assistir A Bela e a Fera ou Tarzan (caraca, eu amo muito o primeiro Tarzan) só não acho certo dizer que X é melhor que Y quando na verdade eles só são diferentes  _b
 
Olá, [member=2871]Coralium[/member] !

Talvez eu não tenha entendido integralmente seu ponto de vista, mas vou tentar discorrer brevemente sobre esse tema.

Se formos comparar a trilha sonora de Cinderela com Frozen e Moana podemos perceber que a primeira é mais orquestrada que as outras. Apesar de poder haver exceções, esse padrão costuma se repetir se continuarmos comparando filmes antigos da Disney com os mais atuais. De cara eu já apontaria que essa mudança se deve a influência da música contemporânea (principalmente Pop, como você comentou) no cinema. Com isso, hoje em dia temos músicas mais simples e de fácil acompanhamento. Questões de orçamento na produção dos filmes também têm certa influência sobre essa mudança, afinal os estúdios perceberam que é beeem menos custoso contratar artistas independentes + pontuais orquestrações do que uma orquestra sinfônica de vários naipes para fazer a trilha sonora inteira como um ballet de repertório.

Eu não diria que as trilhas sonoras ficaram melhores ou piores, mas que apenas estão passando por transformações. Hoje, por exemplo, podemos ouvir a presença de sintetizadores que conseguem fazer de uma música uma verdadeira obra prima (Hans Zimmer quem o diga!).

Enfim, essa é uma pergunta que não tem uma resposta definitiva, pois depende do gosto musical de cada um. Sempre houve esse atrito do "novo vs antigo", como já foi exposto no conflito de compositores de música clássica e o estilo Richard Wagner no final do romantismo e no pós-romantismo (curiosamente, esse movimento tem grande influência sobre a "música sinfônica de cinema" haha).

Coralium comentou:

Considerando que existem um número limitado de notas musicais, perguntei a um músico se chegaria um dia em que todas as combinações possíveis  já teriam sido feitas e não haveria como criar músicas novas.

Pra ilustrar melhor esse atrito entre o antigo e o novo, você pode também pesquisar sobre o pós-romantismo e o dodecafonismo (não é cafona UwU). Esse estilo basicamente critica algo parecido com o que você abordou. Bem, as notas musicais sempre continuarão sendo 12, mas o dodecafonismo (12 sons/notas) rompe mais precisamente com a harmonia tonal: sob muitas críticas, eles diziam que a música baseada nas escalas diatônicas heptatônicas (7 notas) que estamos acostumados, com seu característico comportamento de dominante-tônica, ficou repetitiva demais e abre pouco espaço para composições inovadoras. A proposta dos dodecafonistas foi, então, criar uma técnica de composição onde uma nota não pode ser repetida até que todas as outras tenham sido tocadas e não há um centro tonal. Esse movimento acabou não vingando tanto quanto esperavam, mas influenciou de certa forma a música contemporânea. Exemplo de música dodecafônica:

[youtube]https://www.youtube.com/watch?v=bQHR_Z8XVvI[/youtube]


Espero ter expressado com clareza meu ponto de vista e não ter fugido muito do assunto ^^
 
Então, fui invocado aqui pelo patrão Bruce o/

Na verdade é uma discussão interessante sim, mas é praticamente impossível comparar períodos da história da música como se fossem os mesmos. Vou separar por pontos pra tentar explicar.

1) Porque as composições de 1956 soam mais românticas que as atuais:
Na época que o primeiro filme da Cinderella foi feito a música estava dando os primeiros passos aos movimentos contemporâneos da música erudita, e muito podia ser aproveitado das obras de Mahler, Tchaikovsky e suas técnicas pós-românticas.
Basicamente tudo que se escuta dessa época tem traços desse estilo de composição.
O cinema sempre foi um reflexo dos movimentos artísticos presentes, e a evolução musical não fica longe disso. No começo da vida do cinema, apresentar um filme era um espetáculo parecido como uma ópera ou uma peça teatral e por isso as composições musicais a tratavam da mesma forma. Na época do cinema mudo as músicas eram pensadas como uma performance como qualquer outro teatro à época. Composições orquestrais eram normalmente escolhidas porque é muito mais fácil contar uma história com uma orquestra do que com um mero piano. Então, por muito tempo a visão de cinema era restrita como esse evento artístico, muito diferente da visão que a gente tem hoje.
E você se engana se acha que todos os filmes tinham composições próprias. Nessa época haviam catálogos e bibliotecas enormes que os grandes estúdios compravam e disponibilizavam aos diretores da época. Grande parte dos filmes possuía essa Trilha Branca, como eram e até hoje são chamadas.
Então, pra compor grande parte desse catálogo os diretores pegavam peças da biblioteca que eram composições de músicos eruditos do século 19, o período pós-romântico da música.
Mas os filmes que contratavam compositores sempre sobressaíam na qualidade. E normalmente esses filmes são os que a gente conhece dessa época.

2) Porque não continuar compondo como eles compunham em 1956:
Tudo evolui, principalmente as artes. Em 1960 houve uma grande explosão do mercado fonográfico. As formas de composição acompanharam o mercado de músicas através do tempo. Poderia ficar horas falando sobre isso, mas é fácil de entender que uma evolução sempre existe em qualquer lugar. E evolução não significa deixar pra trás tudo que foi feito, mas utilizar da história pra aprender como melhorar o que já se tem.
Muitos, mas muitos compositores hoje ainda seguem a mesma linha de composição romântica. Os principais são John Williams, John Debney, Alan Silvestri, Michael Giacchino, e eles ainda estão no spotlight da hollywood moderna. Temos até um compositor brasileiro que segue essa linha, chamado Tim Rescala.
Mas o que acontece é que temos muito mais diversidade dos estilos musicais hoje no cinema, o que pode ofuscar um pouco como você vê a trilha sonora no geral.
Mas assim que você assiste filmes como O Artista, UP, O Gigante Amigo, Lincoln, Como Treinar Seu Dragão, O Curioso Caso de Benjamin Button e diversos outros que ainda seguem a mesma linha de composição dos filmes de velha era do cinema, você vê que esse tipo de pensamento (A música de antigamente é mais bem trabalhada que a música atual) é só um saudosismo barato e sem fundamento. É claro que gosto é uma coisa diferente e que deve ser respeitado, mas a trilha nunca deixou de ser tão bem feita tecnicamente quanto antigamente, o que mudou foram as técnicas.

3) É importante entender o papel de uma trilha sonora
A trilha sonora de um filme não é feita primariamente para ser vendida como um disco à parte, mas sim como uma experiência integrante do cinema. Há também uma enorme diferença entre Trilha Sonora e Canção. Na canção, a música aparece no filme como uma música externa ao que está sendo exibido. Em filmes como Esquadrão Suicida que usam e abusam de músicas pop, essas músicas são vistas como canções que existem como um extra à experiência cinematográfica.
Mas a trilha sonora é feita para dar sentido ao que está sendo exibido na tela e precisa cumprir algumas determinações artísticas da produção. E isso tem avançado brilhantemente no cinema atual. É só ouvir trilhas do Hans Zimmer como "Inception", "Interstellar", "Sherlock Holmes", ou ainda de Johnny Greenwood e Alexandre Desplát, como "Phantom Thread" e "A Forma da Água", que são brilhantemente pensadas e compostas para os filmes que elas trilham.

E é aí que tá a magia da coisa. A trilha precisa complementar o que o filme precisa, e não necessariamente um filme precisa de uma trilha sonora no estilo romântico. Mas quando precisa, isso ainda acontece. Ainda existem musicais e embora a qualidade de algumas coisas sejam questionáveis, em toda a história temos filmes com trilhas de qualidade questionável. Isso não é específico de hoje, só é potencializado pela gana dos grandes estúdios de criar algo que tente servir o filme e ao mesmo tempo um mercado musical extremamente inflado.
 
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