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Silent Hill (1999) é PERTURBADORAMENTE INCRÍVEL

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Joguei recentemente Silent Hill 1 e, caras, eu TIVE que vir aqui expor meus pensamentos sobre ele. Depois de zerar pela primeira vez, zerei mais três vezes em menos de dois dias para habilitar coisas adicionais (e ainda pretendo fazer a jogada definitiva no Hard). Virou definitivamente um dos meus jogos da vida. Então, aí vai minha review do jogo.

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"Quando a inspiração surge, Maya voa! Entenda isso! ☆"
- Mayano Top Gun (Uma Musume: Pretty Derby)

Silent Hill (1999) é PERTURBADORAMENTE INCRÍVEL
Aviso de spoilers: Essa review tem spoilers, então leia por sua conta e risco.

O ano é 1999.
Em 1996, Resident Evil lançou e virou o “pai do survival horror”. Em 1998, Resident Evil 2 continuou esse legado.
A Konami, que até então não tinha lançado nenhum jogo de horror, viu o hype criado em cima de Resident Evil e disse: “Resident Evil e jogos de terror estão fazendo sucesso, né? Vamos montar um time de desenvolvedores e lançar um jogo de terror também, né? Surfar no hype, né?”
E assim nasceu a Team Silent, que em 1999 lançou Silent Hill para PlayStation, o famigerado Play 1.

O jogo foi um sucesso estrondoso, tanto entre os jogadores quanto na crítica. Se Resident Evil foi o “pai do survival horror”, Silent Hill foi a “mãe do survival horror”.

Confesso que, antes de jogar, tinha um certo preconceito com Silent Hill (com a série toda, na verdade). Tenho um defeito pessoal: quando vejo muita gente idolatrando algo de forma quase cega, acabo desgostando mesmo sem ter experimentado. Já tive experiências ruins com fandoms que são insuportáveis e que crucificam qualquer crítica. Mas, depois de anos resistindo, finalmente joguei.
E, sinceramente, tenho que tirar o chapéu, colocá-lo embaixo do braço e ficar pianinho. O jogo é Bom com B maiúsculo.

Certo, como diria um esquartejador: vamos por partes.

A atmosfera. Ela é magnífica. Magnificamente assustadora. No início, pensei:
“Ah, é um jogo de Play 1 com gráfico fudido, não vai dar medo”.

E eu estava incrivelmente errado. Mesmo com mais de 20 anos, o jogo mantém uma sensação opressiva. O principal culpado? Akira Yamaoka e sua trilha sonora opressiva e aflitiva.
Comparando com Resident Evil, o terror dos dois é muito diferente.
Resident Evil gera um medo mais baseado na preocupação. Você abre seu inventário e diz “Porra, tô com pouca munição e tem três hunters no corredor, e agora?”.

Silent Hill gera um medo no sentido mais primitivo da coisa. Você fica aflito e amedrontado sem saber exatamente do que tem medo, e novamente, a trilha sonora tem grande culpa nisso.

A curva de aprendizado do jogo é razoável. Ele não é muito intuitivo, não vai te segurar pela mão com tutoriais, mas os comandos são simples: quadrado para correr, triângulo para abrir o mapa, X para confirmar, R2 para preparar a arma. Claro, imagino que seja assim porque no manual do jogo devam ter as instruções bem explicadas. Naquela época era assim.

A narrativa é simples, mas bem feita. Você tem um acidente, sua filha desaparece, a cidade está vazia e cheia de monstros, e você precisa encontrá-la enquanto enfrenta situações cabalísticas. Funciona bem para o gênero. O jogo tem múltiplos finais, cinco ao todo, mas para conseguir o melhor é preciso fazer coisas bem ocultas e provavelmente não vai saber como fazer sem um guia.

Diferente de Resident Evil, Silent Hill é totalmente 3D e sem câmeras fixas. Isso tem lado bom e ruim: os gráficos não envelheceram tão bem quanto os cenários pré-renderizados de Resident Evil, mas a câmera móvel é bem melhor do que a câmera fixa da concorrência.

A direção artística, contudo, é excelente, opressiva e casa perfeitamente com a trilha sonora. O HUD e os menus são básicos, mas funcionais.

Falando em performance, o jogo tem problemas sérios de frame rate em várias partes, mesmo no hardware original.
Por sorte, joguei no emulador Duckstation, onde consegui dar um overclock na CPU para manter 30 frames constantes. E, claro, um disclaimer anti-processos: tenho uma cópia legal do jogo, dumpei para o PC e jogo no emulador... não baixei nada da internet.

Uma coisa legal do jogo é o sistema dos dois mundos: o mundo normal e o mundo cabalístico, que o jogo alterna frequentemente. Normalmente, as dungeons são divididas nessas duas partes, o que cria uma dinâmica interessante.

Quanto à dificuldade, o início é tranquilo até o hospital, a segunda dungeon. Depois disso, a dificuldade escala, principalmente por conta da escassez de recursos, se você tentar matar tudo que se mexe com as suas armas de fogo. Eu fiquei sem balas e sofri bastante para derrotar os vários inimigos daquela área, até que recebi a dica de desligar a lanterna para que os inimigos ficassem menos agressivos e mais ceguetas, me permitindo usar a picareta, a arma branca mais forte do jogo, que você encontra no hospital mesmo, na sala do gerador.

O jogo tem poucos personagens, mas um deles me marcou profundamente: Lisa Garland. Ela é uma das personagens mais “humanas” do jogo. Quando você finalmente a encontra e começa a interagir, é impossível não simpatizar com ela. Claro, temos a Cybil e o Dr. Kaufmann antes, mas a conexão que criamos com a Lisa é diferente, mais profunda. Talvez tenha a ver com o instinto primitivo e masculino de proteção da fêmea:
Ela é indefesa, insegura, um contraste grande com a Cybil, que é a policial “badass” e focada. Esse lado vulnerável dela mexe com você. Aí, quando chegamos ao final e descobrimos que Lisa sempre esteve morta, aquilo acaba com a gente. É um golpe emocional forte, que traz uma camada trágica muito real para a história e reforça o clima perturbador do jogo.

Sobre os finais, são cinco:
Bom, Bom+, Ruim, Ruim+ e UFO, esse último sendo um final meme.

Depois de zerar o jogo, abre uma opção secreta de ampliar as munições obtidas (vai de 1x até 6x) e dá para iniciar um New Game+ e conseguir acesso a armas como katana, britadeira, serra elétrica e canhão a laser. Isso dá uma ótima sobrevida ao jogo, reforçando o fator de rejogabilidade.

Agora, vamos ao elefante na sala: a gameplay é dura, travada. Não é só o controle “tank” que é horrível, mas o Harry é meio molenga. Faz sentido na lore, ele é um escritor, não um soldado como Chris ou Leon, mas isso não ajuda na jogabilidade. E eu não fico pensando nisso enquanto jogo, simplesmente me incomoda. Como já disseram por aí: Explicar a razão do problema não resolve o problema.
Gameplay porca é gameplay porca, com ou sem motivo.

Outro ponto que incomoda são os puzzles. Tem um em especial, infame na comunidade, o enigma do piano. A dica para resolver esse puzzle não ajuda em nada, e passei muito tempo tentando entender aquilo. Os puzzles são, no geral, bem feitos, mas a forma como as dicas são apresentadas é ridícula. Por sorte, foram poucos puzzles difíceis assim, a maioria é tranquila.

Em suma: Silent Hill é um ótimo jogo. Tem uma história legal, uma atmosfera incrível de terror, uma trilha sonora sensacional, bom fator de rejogabilidade e vários outros pontos positivos. Se você gosta de jogos de horror, jogue Silent Hill.
 
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