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"CHAR armazena um valor alfanumérico à variável. Programar, por si só, armazena bugs à constante."
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[GUI THE MAKER SEMANAL] - POR QUE TIRAR FÉRIAS DO SEU PROJETO PODE SER BENÉFICO (E TALVEZ VOCÊ PRECISE DELAS)

Gui Masculino

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09 de Julho de 2022
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Saudações, corações valentes!

Hoje quero conversar com vocês sobre algo que raramente é discutido entre desenvolvedores de RPG Maker: Tirar férias do próprio projeto. Pode parecer estranho, até contraintuitivo, mas às vezes dar uma pausa é a única forma de garantir que o jogo chegue até o fim.

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"Quero que todos saibam que serei a melhor de todas!"
- King Halo (Uma Musume: Pretty Derby)

POR QUE TIRAR FÉRIAS DO SEU PROJETO PODE SER BENÉFICO (E TALVEZ VOCÊ PRECISE DELAS)
Eu sempre fui uma daquelas pessoas que mergulham de cabeça em tudo o que fazem quando o assunto é RPG Maker. Quando começo um novo projeto, é como se eu entrasse num estado de transe. Penso no jogo o tempo todo. Passo o dia esboçando sistemas, criando personagens, testando ideias. Às vezes, vou da manhã até a madrugada sem perceber. E foi exatamente isso que aconteceu comigo recentemente.
Estava planejando um projeto realmente sério e entrei num ritmo intenso de produção.

Foram mais de quinze dias seguidos de trabalho contínuo: planejamento, mecânicas, revisão de conceitos, GDD, muitas e muitas planilhas para armazenar informações de inimigos, armas... tudo, sem nem ter aberto o RPG Maker ainda. Só no papel. Eu trabalhava da manhã até a madrugada. E quanto mais eu via o jogo tomando forma, mais difícil era parar.
Só que, aos poucos, comecei a perceber os sinais: cansaço, dificuldade de pensar com clareza, irritação com detalhes mínimos e uma espécie de saturação que me afastava da empolgação que eu sentia no início. Eu estava começando a me desgastar. E, se continuasse assim, provavelmente acabaria desistindo, como já aconteceu antes com outros projetos.

Foi então que tomei uma decisão que, pra mim, foi quase um desafio pessoal: tirar férias do desenvolvimento. Sim, férias. Uma pausa real. Tentei parar, respirar, me distanciar um pouco do projeto.
Nunca tinha feito isso de forma consciente. Sempre trabalhei sem descanso, achando que parar era perder tempo. E, quando eu parava, era pra desistir. Nunca foi uma folga, era abandono.
Esse excesso de dedicação, sem pausas, sempre me levava à exaustão, e à desistência.

Comecei a escrever essa matéria durante as férias e estou a finalizando após elas. E preciso admitir: foi difícil. Muito difícil. Minha mente ficou acelerada o tempo todo. Eu via qualquer coisa no meu dia e pensava: “isso daria uma boa referência para aquele mapa”. Escutava uma música e já imaginava uma cena no jogo. Depois de tantos dias seguidos trabalhando até tarde, é quase impossível desligar. Parece que o projeto continua dentro da minha cabeça, mesmo quando o computador está desligado. E acho que isso só confirma o que eu já desconfiava: talvez eu seja um pouco workaholic (quando o assunto é RPG Maker).
Mas o mais importante é que, apesar de toda essa ansiedade, eu sabia que precisava daquela pausa. Eu estava começando a me sentir saturado do meu próprio jogo. Cheguei a ter sintomas leves de burnout. E percebi que, se eu não me desse um tempo, talvez não tivesse energia emocional pra continuar depois.
Dar férias para o desenvolvimento não é abandonar o projeto. É cuidar de quem está fazendo ele acontecer: eu. E talvez, você que está lendo isso, também precise se permitir uma pausa. Se anda se forçando demais, trabalhando todos os dias, sentindo que está começando a empurrar seu jogo com a barriga, talvez dar um tempo seja o melhor caminho. Às vezes, é parando que a gente garante que vai conseguir continuar.
E sim, existem estudos que mostram que equilibrar trabalho e descanso, a médio e longo prazo, é mais produtivo. Por mais estranho que pareça, descansar com consciência melhora o foco, a criatividade e até a resistência emocional diante de problemas. E tudo isso é essencial quando se está criando algo grande, como um jogo.

Então, por mais que sejamos apaixonados pelos nossos jogos, é melhor trabalharmos neles com moderação, e cuidarmos da nossa saúde mental no processo. Afinal, o jogo não vai se fazer sozinho, mas ele também não vai acontecer se o criador estiver quebrado.
E sabe o mais curioso? Quando voltei ao projeto, percebi que ele ainda estava ali, firme, esperando por mim. Nenhum plano evaporou, nenhuma ideia se perdeu. Na verdade, tudo parecia mais nítido.
Com a mente descansada, voltei com mais confiança e até com mais carinho pelo que estava criando. Descobri que dar um tempo não enfraqueceu meu vínculo com o jogo... só fortaleceu.

Se você estiver se sentindo sobrecarregado, saturado ou simplesmente cansado de olhar para o mesmo mapa, personagem ou evento pela décima vez, talvez seja hora de se afastar por um tempo. Vá viver um pouco, absorver referências novas, recarregar a cabeça. Porque, quando voltar, você provavelmente vai enxergar seu projeto com olhos melhores.
No fim das contas, tirar férias do seu jogo não é parar de fazer o jogo. É só garantir que ele tenha alguém saudável, empolgado e criativo para continuar fazendo acontecer.

E se isso significar cuidar de você primeiro... então é sinal de que você está fazendo tudo certo.
 
Ótimas reflexões, Gui! Confesso que me identifiquei bastante com o seu texto.

No meu caso, eu acabo fazendo uma pausa do projeto, mas sem qualquer programação prévia mesmo kkk.

A verdade é que, depois de um tempo focado no desenvolvimento de um jogo, o cansaço e a falta de interesse uma hora me vencem, mas, não tem jeito, cedo ou tarde sempre volto a mexer no projeto novamente, pois amo fazer jogos no maker. Só que, por mais que a gente ame o que faz, trabalhar de maneira focada e com rotina em qualquer projeto acaba nos desgastando com o passar do tempo, por consequência, isso afeta o nosso rendimento, começa a faltar clareza aos nossos pensamentos (como você bem disse) e, ainda, faz a gente se culpar por algo que é totalmente normal e humano, pois ninguém que é de carne e osso consegue ter alto desempenho constante igual a um robô.​
 
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Reações: Gui
Ótimas reflexões, Gui! Confesso que me identifiquei bastante com o seu texto.

No meu caso, eu acabo fazendo uma pausa do projeto, mas sem qualquer programação prévia mesmo kkk.

A verdade é que, depois de um tempo focado no desenvolvimento de um jogo, o cansaço e a falta de interesse uma hora me vencem, mas, não tem jeito, cedo ou tarde sempre volto a mexer no projeto novamente, pois amo fazer jogos no maker. Só que, por mais que a gente ame o que faz, trabalhar de maneira focada e com rotina em qualquer projeto acaba nos desgastando com o passar do tempo, por consequência, isso afeta o nosso rendimento, começa a faltar clareza aos nossos pensamentos (como você bem disse) e, ainda, faz a gente se culpar por algo que é totalmente normal e humano, pois ninguém que é de carne e osso consegue ter alto desempenho constante igual a um robô.​
Tudo o que a gente acaba fazendo e se torna obrigação (mesmo que não seja), a gente acaba desanimando aos poucos. Não tem muito o que fazer, só se cuidar para minimizar os riscos
 
Anotar ideias (ou referências, como você mencionou) eu sempre sempre faço. Mas acho importante, como você explica na matéria, ter intervalos do projeto.

Eu gosto de desenvolver no modelo de horizontal slice, então é normal eu ter entregas de 1-4 meses e depois aproveitar um intervalo.
 
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