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Resident Evil (1996) é DESCONFORTÁVEL

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E estou de volta com mais uma review de jogo velho.

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Resident Evil (1996) é DESCONFORTÁVEL
Em 1992 foi lançado Alone in the Dark, um jogo que pode ser considerado o primeiro survival horror da história. Nele, você é um detetive investigando uma mansão repleta de horrores quase Lovecraftianos. Quatro anos depois, em 1996, uma empresinha que ninguém conhece chamada Capcom decidiu lançar um jogo fortemente inspirado em Alone in the Dark e também em outro título mais antigo da própria empresa, Sweet Home. Assim nasceu Resident Evil.

Se Silent Hill pode ser considerada a mãe do survival horror, Resident Evil é, sem dúvidas, o pai. Claro, Alone in the Dark teve que andar para que Resident Evil pudesse correr, então podemos dizer que Sweet Home e Alone in the Dark são os avós do gênero.

Depois de muitos anos enrolando, finalmente joguei Resident Evil 1 até o fim. Minha experiência foi opressivamente desconfortável, e digo isso no melhor sentido possível. Eu já tinha tentado jogar antes, mas os controles tank sempre foram um obstáculo. Não sou habituado a eles e acabava largando bem no início. Desta vez, me forcei a seguir até o fim, e valeu a pena.

A estrela absoluta é a Mansão Spencer. Um labirinto de portas trancadas, puzzles e perigos constantes. Eu ouso dizer que ela é quase um protótipo de Metroidvania 3D, porque a sensação de voltar a áreas antigas com novas chaves ou habilidades é muito parecida. A mansão, às vezes, está envolta em silêncio desconfortável. Outras vezes, entra uma trilha que te mantém em alerta constante, e a música do porão quase me matou do coração. Mesmo com gráficos datados, o jogo ainda consegue ser assustador. Não tanto por jumpscares, mas por te fazer sentir vulnerável o tempo todo, especialmente pela escassez de munição.

O terror aqui é diferente do de Silent Hill. Lá, o medo é mais primitivo e psicológico. Aqui, é tático e de sobrevivência. Você não está morrendo de medo de um monstro em si, você está preocupado porque gastou suas últimas balas de espingarda e agora precisa atravessar um corredor com dois Hunters. E falando em Hunters… meu momento mais marcante foi o retorno à mansão depois de certo ponto do jogo. Antes, eu conhecia cada canto, cada inimigo, cada rota segura. Mas, ao voltar, descubro que a mansão está infestada de Hunters (inimigos rápidos, fortes e irritantes de matar). O choque de perceber que minha “zona segura” não era mais segura mudou completamente minha postura no jogo. Passei a planejar cada passo com ainda mais cuidado, sempre ouvindo aquele som dos passos dos Hunters vindo de algum lugar fora da câmera.

A progressão é extremamente satisfatória: cada nova área destrancada, cada puzzle resolvido, cada item finalmente usado depois de horas no inventário… tudo isso dá uma sensação genuína de conquista. Joguei a versão Director’s Cut, que adiciona modos extras. O Original Mode é o padrão, o Arrange Mode muda ângulos de câmera, localização de itens e inimigos, trazendo uma experiência mais imprevisível, e existe também um Beginner Mode, que não cheguei a experimentar. Ao zerar, é possível trocar as roupas dos personagens, o que adiciona um charme, mas a verdadeira rejogabilidade vem do Arrange Mode e da busca por finais alternativos.

Os únicos pontos negativos para mim são os controles tank, que mesmo entendendo o porquê de existirem eu não consigo gostar, e as câmeras fixas, que ajudam na tensão, mas dificultam o combate quando o inimigo está fora do campo de visão.

Resident Evil é um jogo que envelheceu com dignidade, apesar de suas limitações técnicas e de controle. Se você gosta de tensão, gerenciamento de recursos e daquela sensação de vulnerabilidade que te mantém grudado na tela, a Mansão Spencer ainda é um destino obrigatório. Mesmo depois de quase 30 anos, ela continua nos lembrando de que, às vezes, o maior susto não vem de um grito na tela, e sim do som de garras afiadas ecoando em um corredor que você jurava conhecer.
 
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