A existência virtual é mais como um "JOGO" de azar que sempre dá prêmios. Ronaldo Bento

Do tempo dos fliperamas, das locadoras de videogame, das revistas antigas... O Baú do Bento promove resgatar toda aquela nostalgia dos videogames clássicos dos anos de 1980 e 1990. Caso você não viu o oitavo tópico: Baú do Bento - Top Games Especial nº 4 Editora: Digerati
Homenageando o cara mais rico do Condado o Joker @Eliyud gente boa pra caramba!
Joguei muito esse jogo na década de 90 no meu saudoso Phantom System o paizão dos clones brasileiros do NES. Veja aqui: Meu Livro

Com o lançamento do filme do Batman de Tim Burton em 1989, o Coringa ganhou uma nova popularidade graças à interpretação do astro Jack Nicholson. Com isso, uma série de jogos inspirados no filme foi lançada para NES, MS-DOS, Commodore 64, Atari ST, fliperama e Mega Drive. Com o sucesso da adaptação de NES, a Sunsoft lançou uma sequência totalmente focada no Coringa, o clássico Return of the Joker, com alguns dos melhores gráficos da época.
Produzido pela Sunsoft em 1991, o game é sucessor do Batman: The Video Game (1989), inspirado no filme de Tim Burton, mas muito melhor (pelo menos tecnicamente, sem dúvida) que aquele.

Com gráficos de primeira linha e um som de tanta qualidade que mais lembra jogos de 16-bit, esse título entra fácil em qualquer lista de melhores games do Nintendinho. Só conferindo pra acreditar no trabalho primoroso da Sunsoft.
Se o primeiro já é lembrado como um dos games mais divertidos — e difíceis também — dos 8-bit, na versão seguinte a Sunsoft realmente botou a mão na massa, e livre da obrigação de seguir o script do filme, criou um jogo denso, cheio de qualidades, com dificuldade acentuada (bota acentuada nisso) em alguns momentos. É um dos poucos jogos do morcego baseada em quadrinhos e não em filmes, embora tenha elementos de cinema.
Batman usa sua gama de bat-geringonças para enfrentar a gangue do Coringa, lutando contra máquinas e robôs, veículos, tanques e muito mais. Ele é menos acrobata e mais atirador, disparando contra seus inimigos com um tipo de arma na luva, e ela aumenta de poder conforme itens são coletados nas fases, geralmente poderes escondidos dentro de caixotes de madeira (sabe-se lá o sentido, deve ter algum). As fases são em ação lateral, e o herói usa equipamentos até para voar.
Os gráficos são fantásticos quando levamos em conta ser um simples NES. Personagens grandes, chefes e inimigos que ocupam boa parte da tela, bem desenhados, cores bacanas. Fundos fazendo uso de efeitos como paralaxe para simular profundidade, como nas cenas de perseguição aérea, nuvens em camadas em movimento. Fantástico o trabalho que fizeram, tranquilamente melhor que certos jogos de 16-bits.
Os cenários tem um clima obscuro nas partes de cidade, desenhando a Gotham City caótica, e tecnológica em outras, sempre com muitos detalhes como partes móveis em árvores; a pouca variedade de cores não foi limitação para uma boa escolha delas. E não pense que o tamanho dos objetos influi na movimentação: ela e os controles são igualmente bons, com um pequeno detalhe para o movimento um pouco vagaroso, que pode incomodar alguns, mas nada comprometedor.
A jogabilidade é rica e funcional, incluindo práticas típicas de side scrolling com plataformas, como salto com tiro, além de ter estratégia ao saltar obstáculos e elevadores. Batman também desliza pelo chão (como um carrinho de futebol), mas use com calma para não ir direto para buracos. Sem contar as fases especiais de "shooter", quando Batman usa suas ferramentas hi-tech para voar.
O som é um caso especial: músicas muito bem feitas, com batidas que lembram muito (sério mesmo) games medianos / bons de Mega Drive e Super NES. A Sunsoft tirou muitos coelhos da cartola nas trilhas e sfxs, com efeitos de tiro, explosão e tudo para tornar o ambiente mais rico. É surpreendente. Coisa parecida em 8-bit, só nos games em FM do Master System e olhe lá.
Enfim, Return of the Joker é quase uma aparição dos 16-bit no seu Nintendinho. Recomendo!